terça-feira, 7 de junho de 2011

Um olhar reflexivo sobre a prática pedagógica

Educar é sim um ato de amor,mediar o processo de ensino/aprendizagem tem sido uma das experiências mais significativas da minha vida!Penso em educação,escola,sala de aula e me vejo ora como aluna e,ora como professora ,nessa alternância de papéis fico igualmente feliz pois entendo a educação como uma questão dialógica.
Esta troca é essencial para o professor ter empatia com os alunos,valorizar o conhecimento que cada um traz consigo,entender o contexto no qual o aluno está inserido,criar vínculos afetivos ,enfim,mediar a construção do conhecimento.
Pesquisando artigos sobre surdocegueira para apresentar um seminário ,me sentí inquieta diante de algumas questões,ei -las
1-será que um professor que não tenha formação específica em educação inclusiva não pode ter em sua classe regular um aluno especial por não se sentir preparado?
Possìvel resposta:Alguém sai totalmente preparado da faculdade?(sim ,a resposta é uma outra pergunta)De quantos cursos precisamos para enterder a educação como um processo que transcende as questões conteúdistas,educar é saber que tem coisas "indizíveis" igualmente,ou até mais importantes que as "dizíveis."
Educar um aluno surdocego no meu raso entendimento é mostrar para ele que há uma bela rosa,onde ele não consegue vê,não me ouve falar,não pode tocá-la por causa dos espinhos,mas sente seu perfume.Isto não tem curso que ensine,é a velha dupla "razão e sensibilidade".
2-Precisamos ter um aluno surdocego para entendermos a importância do toque?
3-O que Antoine de Saint  quis dizer com : O essencial é invisível aos olhos?
4-Pedagogia..onde foi mesmo que lí  a origem etmológica desta palavra?
Possíveis respostas ainda não sei...Mas tenho perguntas.Um monte delas...


Inclusão é um direito!

Antes de estudar Pedagogia eu acreditava que negar a deficiência seria uma forma de sublimá-la ,hoje,após a valorosa mediação de Professores como Silvia Orrú e Eduardo Ravagni,entendo a importância de se conhecer a etiologia,formas de prevenção e principalmente formas de intervenções eficazes.No caso específico da surdocegueira a inclusão é feita com o auxílio de um Guia-intérprete que faz a transcrição em braile,ou usa libras tátil para explicar o conteúdo.

Borboletas de Zagorsk

Poema de Natasha,
 
Do filme documentário “Borboletas de Zagorsk” da BBC, referente escola especial para alunos com a surdocegueira e uso da mediação: linguagem de mãos, libras tátil, alfabeto dactilológico, escrita na palma da mão. Conforme pensamento de Vigotski independente da severidade da deficiência, as crianças desenvolvem juntamente com o aprendizado, por meio  de mediações e mediadores.

Contra a escuridão e o isolamento - surdocegueira (click aqui para ver o vídeo) 

“Dê me tua mão, que eu te direi quem és.
Em minha silenciosa escuridão,
 Mais clara que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
 tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
 Fremente de ansiedade ou tremula de fúria,
 Verdadeira amizade ou mentira,
 Tudo se revela ao todo de uma mão,
 Quem é estranho, quem é amigo.
 Tudo eu vejo na minha silenciosa escuridão.
Dê me tua mão, que te direi quem és.”
“Quanto mais ricas são as experiências humanas,
tanto maior será o material de que dispõe essa imaginação”- Vigotski
 
(2) “Os outros ouvem, eu não. Mas tenho olhos, que forçosamente observam melhor do que os deles. Tenho as minhas mãos que falam…” (Emmanuelle Laborit, 1994)(2) “(…) Pronunciar palavras eu posso, sim, converso com quem não sabe LIBRAS, normalmente. Mas no meu nome, na minha vida, na minha história, tenho como marca as minhas mãos, a minha forma de me comunicar: a LIBRAS! Esse bailado que sempre sugerirá benção, edificação. “A mão é o verbo dos eleitos”(…)” (Vanessa Vidal, livro: A Verdadeira Beleza, pg: 17, 2008, Fortaleza)

Dia 29 de Novembro

Poesia de Marcos Poeta

Surdocego
Tenho de viver com a minha surdocegueira e sem remédio.
Sempre pensei numa outra vida mais feliz,
Mas às vezes a vida parece querer que seja infeliz
E noutras ocasiões dá-me tédio, tédio, tédio…
O meu mundo é o mundo das pequenas coisas,
Coisas que se conhecem e se repetem sem cessar.
Apetece-me tudo de novo começar,
Mas já estou preso às pequenas coisas.
Gostava de poder ver o que se passa na rua,
Ouvir as músicas que palpitam sob os meus dedos,
Passear por todos os lugares amenos
Que existem na minha fantasia no fim da minha rua…
Quem me dera ter amigos em vez de vizinhos
Que vivessem junto de mim e fossem só meus,
Pois a falta que sinto sabe-a Deus.
Porém, aqui é só a minha família e os meus vizinhos.
Sou surdocego e sinto-me útil aos demais.
A minha visão das coisas pode ser diferente,
Mas nem por isso sou eficiente
Como o são todos os demais!
Contudo, o que mais me escurece a alma
É achar o meu mundo muito pequeno e desinteressante
Como se a minha inteligência fosse insignificante
E comer, dormir e enfadar-me me trouxessem calma!
Sou surdocego e quero viver o sonho
Que transportam as aves da liberdade e do céu cetim,
Não quero acabar assim:
Preso a um colete de forças e tristonho.
Por isso é que eu soube escolher
Como quem prefere ser independente
E o menos possível deficiente,
Pois o surdocego também pode escolher.

Dançarinos surdocegos

Centros de atendimento a Surdocegos

O acelerado desenvolvimento da Ciência e os progressos da Medicina que tanto vêm contribuindo para reduzir a mortalidade infantil e prolongar a vida através do controle de inúmeras doenças outrora fatais, ironicamente tem propiciado o aparecimento de deficiências múltiplas. Em decorrência principalmente, da Rubéola Congênita , da Meningite e da Síndrome de Usher,a incidência da surdocegueira, em todo o mundo é bem maior do que se supõe.


Nos Estados Unidos, na década de 1960, uma epidemia de Rubéola afetou, aproximadamente, 50.000 mulheres. Na ocasião, o Centro de Controle de Doenças, em Atlanta, previu que umas 2.500 crianças nasceriam surdocegas.


O impacto, causado por essa previsão, levou as autoridades a se mobilizarem para a criação de Centros especializados para o atendimento a essas crianças. Em janeiro de 1968, foi assinada, pelo então Presidente Johnson, uma Lei determinando o estabelecimento de Centros e Serviços para todas as crianças surdocegas nos Estados Unidos.


No Brasil a “Fundação Municipal Anne Sullivan”, a “Associação para Deficientes da Audio-Visão - ADefAV”, ambas em São Paulo e, mais recentemente, o “Instituto Benjamin Constant”, no Rio de Janeiro, através do Programa de Atendimento e Apoio ao Surdocego - PAS são algumas das organizações que têm propiciado ao surdocego diferentes oportunidades para reverter o processo de exclusão social a que estão submetidas essas pessoas.


A realização de Conferências, Simpósios, Seminários e principalmente os Encontros de Surdocegos têm, igualmente, sido de grande valia pois, além de possibilitarem o conhecimento de avançados aparatos tecnológicos para uma vida mais independente e a divulgação de novos métodos e técnicas educacionais, propiciam, ainda, a oportunidade de “encarar a vida com uma nova filosofia, uma nova atitude” como atestam os depoimentos de dois surdocegos participantes da “III Conferenccia y Convivencia Nacional de Personas Sordociegas” realizada em junho de 1995 em Madrid.